sexta-feira, 5 de março de 2010

Errar uma vez, é humano. Repetir o erro, burrice



 Foi iniciada a temporada de caça às bruxas no Palmeiras.
 Depois de a brusca queda de produção na reta final do Campeonato Brasileiro do ano passado, a fase ia de mal à pior. E quem imaginou que mandar Muricy Ramalho embora, contratar Antonio Carlos Zago e vencer o São Paulo resolveria o problema, caiu do cavalo. O buraco é muito mais embaixo.
 Dizem à bocas miúdas que a Traffic, parceira do Palmeiras na contratação de jogadores, deixou de investir no time devido ao fracasso de 2009.  Eu não sei se é verdade, mas até que faz um certo sentido. E se for realmente verdade, aconteceu o que eu já tinha previsto quando essa parceria foi anunciada, no início de 2008. Na época, eu já dizia que o Palmeiras teria assinado o seu atestado de burrice, cometendo o mesmo erro pela segunda vez. O professor Belluzzo, renomado economista e um dos "gênios" idealizadores do finado Plano Cruzado, que me desculpe.

 Mas o que me convencia de que esta parceria que visava injetar muito dinheiro comprando jogadores e colocando pra jogar no Palmeiras era na verdade um barco furado, era a ideia de que o clube seria mais uma vez refém de meia dúzia de endinheirados que usariam o time como vitrine para ganhar dinheiro em cima de negociações com times de fora.
 E de fato, foi o que aconteceu. Jogadores como Henrique e Keirrisson renderam milhões aos cofres da Traffic. 
 No início de 2008, o Palmeiras montou um timaço (para os padrões brasileiros). Muricy Ramalho (então técnico do São Paulo) chegou a dizer que era fácil treinar o Palmeiras devido ao alto poder de investimento. "Era só pedir o jogador que os caras trazem", declarou. Foi campeão paulista logo de cara e... mais nada. Foi eliminado da Copa do Brasil pelo Sport e não teve gás para o Brasileirão. E a desculpa do "professor" Luxemburgo era de que o time estava ainda em formação (engraçado como os times dele estão sempre em formação).
 Aí veio 2009. Todo mundo pensou que esse sim seria o ano do Palmeiras. Afinal, o time já tinha passado um ano inteiro em processo de formação.
 Mas as eliminações precoces do time no Paulista e na Libertadores foi um balde de água fria. Custou o emprego de Luxemburgo. E para ocupar o comando técnico do time, o sonho de consumo Muricy Ramalho (então, recém demitido do São Paulo).
 Mas não adiantou... Os resultados não vieram... O time que estava com o título do Brasileiro nas mãos, caiu e ficou de fora até da Libertadores.
 Aí vem a teoria já citada. Os investidores perderam a paciência, e cortaram os investimentos no Palmeiras. E então, sem um elenco competente, o Palmeiras amarga a metade de baixo da tabela do Campeonato Paulista (até este momento, 12ª rodada).

 Por um acaso essa história lhe parece familiar?
 Ainda não captou a mensagem?
 Então lhe contarei mais duas historinhas pra ver se as coisas encaixam.

 O ano era de 1993.
 Após anunciar uma parceria de patrocínio com uma gigante do ramo de laticínios, um time de tradição, mas que naquele momento era mero figurante no cenário do futebol brasileiro começa a colecionar craques e títulos.
 A parceria, nos registros estatísticos, foi um sucesso. Foram 3 Paulistas, 2 Brasileiros, 1 Libertadores entre outros títulos de menor expressão e o respeito do mundo futebolístico para a nova potência do futebol nacional.
 Com todo esse êxito, muitos craques desfilaram pelos campos vestindo a camisa deste clube. Muito dinheiro foi ganho com transações, e devido à tanta repercussão, a empresa se consolidou e liderou o seu ramo de atuação no mercado brasileiro durante a década de 90.

 A empresa em questão, a Parmalat. O time, o Palmeiras.

 Mas a Parmalat faliu. O dinheiro acabou. Todos aqueles grandes jogadores que atuavam no Palmeiras foram embora sem gerar quase nenhum lucro para o clube.
 Sem dinheiro e sem jogadores à altura para competir com as demais forças do futebol brasileiro, o Palmeiras e os palmeirenses conheceram a maior vergonha da história do clube: o rebaixamento para a 2ª divisão.

 Aí, depois de amargar uma segundona e se reerguer, o pameiras vai e enfia a cabeça na guilhotina de novo?!
 Tá certo que a diretoria que aprovou a parceria e outra. Todos confiavam cegamente no lindo discurso de Luiz Gonzaga Belluzzo. Mas foi muita burrice!
 E não foi burrice só pelo fato de já ter passado por isso não. Há um agravante. Nós já tivemos um outro "belo" exemplo de como essas parcerias acabam. E muita gente, principalmente os palmeirenses e o blogueiro que vos fala, riram muito disso, aliás.

 O ano era de 2005.
 Um tradicional time brasileiro anuncia uma parceria com uma suspeita milhonária empresa de investimentos esportivos, liderada por um iraniano também suspeito desconhecido.
 De repene, chove dinheiro na capital paulista. É anunciada a contratação de uma das maiores promessas do futebol argentino pela bagatela de 20 milhões de dólares. E mais... Foram vários jogadores de destaque no Brasil, e alguns com certo nome já na Europa.
 Objetivo era claro: Ganhar tudo!
 De fato, o time ficou forte. Era temido. Mas não ganhou tanta coisa assim. Na verdade, só o polêmico Brasileiro de 2005, em meio à denúncias comprovadas de compra de árbitros, e um erro grotesco de um árbitro (que nem era comprado, errou porque era ruim mesmo) em um jogo decisivo.
 Em 2006, o maior sonho de consumo: A Libertadores da América. E o time, então, entra como favorito para a disputa.

 O time em questão, o Corinthians. A empresa, a MSI.

 Porém, o time não conseguiu levantar a taça. Foi eliminado. A torcida se revoltou. Trocas de treinadores e denúncias contra a empresa e a diretoria pipocaram nos noticiários, e o castelo de areia começou a ruir.
 Todas aquelas estrelas foram negociadas. Mas para o time, o lucro foi zero. Ou melhor, negativo.
 Resultado da obra: Rebaixamento para a 2ª divisão. O maior vexame do time que tem a segunda maior torcida do país do futebol.

 Coincidência?
 Eu acho que minhas teorias não são tão ilusórias assim. Para mim, explicam muita coisa.

 Professor Belluzzo, o senhor é um especialista em economia. Eu que não sou coisa nenhuma, porcamente terminei o segundo grau, já vi desde o início que essa matemática só poderia dar resultado negativo.
 Não vale a pena insistir nessa tecla, e deixar o Palmeias sentado no canto da sala, com aquele chapéu pontudo e com orelhas enormes, enquanto seus "colegas" disputam o título.

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